O movimento Rockabilly

Quando pensamos em retrô, as primeiras imagens que nos vem à cabeça são dos rockers e pinups dos anos 50: homem de jeans e jaqueta de couro, com topete impecavelmente finalizado no gel, e as mulheres de sapato boneca, meia calça, saia rodada e corsets.

Essa cultura só chegou no Brasil na década de 80, quando o governo ditatorial permitiu a entrada do que se tocava nas rádios pelo mundo. Com esse delay, para nós, brasileiros, o rockabilly foi já de primeiro momento o culto às raízes do Rock’n’roll.

Mas o movimento surgiu mesmo na década de 50, nos Estados Unidos. Até essa época, a segregação racial era uma triste realidade, e isso impediu por muito tempo que as culturas se misturassem. Mas a música, linguagem universal, quebrou as primeiras barreiras. Os brancos tiveram seu primeiro contato com a música feita pelo negro, que era uma mistura de jazz e blues na época, que se misturou com a música caipira americana – o country -, surgindo então o rock’n’roll.

O termo rockabilly surgiu para denominar os músicos brancos que tinham a habilidade (abilitie – no inglês) de executar a música do negro – o rock’n’roll.

Desse modo, diferente do que muitos pensam, o Elvis Presley não foi o precursor do rock’n’roll, mas foi sim um rockabilly! Quem deu os primeiros passos foram os cantores negros Little Richard e Chuck Berry.

No filme Cadillac Records (2008) retrata muito bem como foi essa transição musical. A gravadora de Chicago Chess Records teve grande responsabilidade na história do rock, quando seu dono, Eduardo Chess, ficou vislumbrado com o talento musical negro e resolveu enfrentar as barreiras do preconceito para levar a música para todo o país.

Numa emocionante cena do filme, Chuck Berry canta e performa numa casa de dança em que os negros e brancos ficam separados por uma faixa. A música é tão empolgante que o público quebra as regras e se misturam, dançando e cantando sem parar.